fotografia | sissy eiko | Peça de teatro: Descalabro

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NÃO HÁ VAGAS

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira

Ferreira Gullar

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fotografia | sissy eiko | Peça de teatro: Descalabro

sissy eiko  .  dezembro 2006  .  Paulo Arcuri

Mostra de Oficinas Coordenadas por integrantes do Grupo XIX de Teatro
Eu era a carne, agora sou a própria navalha – Estudos sobre Plínio Marcos

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“Eu nunca fui um escritor profissional. Morreria de fome se fosse viver dos meus livros. Teria de acabar fazendo milhares de concessões. Mas camelô, ah!, isso eu sou bom; vendo meus livros, dou autógrafos e prometo morrer logo para valorizá-los” Plínio Marcos

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“Para essa gente, os gurus do sistema, o passado é um exemplo, o futuro é uma esperança e o presente é um pé no saco.”  Plínio Marcos