fotografia | sissy eiko

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arte | sissy eiko

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Minha janela redonda
das coisas que existem e não existem,

onde vejo namoros ardentes de colegiais,
teatro em plena rua,
brigas de casais, furtos à meia-lua.

Fantasio outras ruas extemporâneas
com olhos biônicos de câmera de vigilância.

Monitoro vidas paralelas a essa
porque o tempo nesta janela é o do pensamento,
corre na velocidade das nuvens
e nunca se reconfigura como da primeira vez.

Minha janela redonda,
das coisas que se vêem e que não se vêem.

Elisa Andrade Buzzo

sissy sentada

Minha formação em arquitetura levou-me à descoberta desse modo de representar uma idéia, de transformá-la em real, e de que maneira esta se torna mais concreta aos olhos de quem recebe. Ter a fotografia como um meio de trocar informações, sendo a concretização do imaginário. O desafio é a construção dessa imagem pensada, que reencontro dentro de mim. Um olhar constante do que está ao redor fundido com ilustrações, e desta maneira trazer à tona aquela magia de se surpreender e maravilhar-se com uma imagem que nos leva a recordar sentimentos e situações vividas no dia-a-dia. As “delicadezas” são um tantinho disso. Como se eu pudesse representar a brisa gostosa sobre o rosto através dessa montagem de fotografia+ilustração. Essa mistura de representações é uma busca experimental pela possibilidade de compartilhar experiências-olhares, tornando-a única, pois cada um que a veja s e recordará com carinho de alguma lembrança distante.

A realidade se dissolve neste desfazer-se fazendo, como se fosse possível tirar uma casca velha e pedregosa e revesti-la com uma penugem leve.” Elisa Andrade Buzzo

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Reinvenção

A vida só é possível reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas. . .
Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo… – mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcança…
Só – no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só – na trevas
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

 

Cecília Meireles in Flor de poemas

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