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pisc! é um projeto idealizado por Sissy Eiko e muitos outros sonhadores que abraçaram a causa. Começou com um fanzine recheado de coisas chamado Sonhos, depois um menor chamado Cochilo, e então saiu o pisc!, um pequenino fanzine 9×9cm, mas cheio de experimentações gráficas. Desta vez, seguimos com o nome pisc!, porém no formato cartão postal. São 6 postais no tamanho 10×15cm, 300gr, colorido frente e verso, com a frente brilhante! Cada postal foi criado por uma dupla de artistas: o poeta escreve, passa para o ilustrador desenhar; depois, o ilustrador desenha e passa para o poeta discutir sobre, bater o martelo e (eba!) postal pronto!
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Nessa coleção contamos com:
Artes – Jozz, Sissy Eiko, Dann Thomas, Gui Ortenblad, Juliana Carvalho e Victor Silva
Letras – Alejandro Farias (argentino), Ivan Antunes, Elisa Andrade Buzzo, Júlio Castro e Ana Paula Ferraz
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Faremos o lançamento da coleção pisc! de postais no dia 18 de dezembro às 19hs
(na Livraria HQMix – Praça Roosevelt, 142 – SP)

pés 02

sissy eiko . 23.03.2009 . projeto ademar guerra . workshop

meu coração se perdeu no labirinto do querer
ele não quer querer assim
mas meu coração tem vontade própria e não vê
me deixa mandar eu deixo ir
meu coração percebeu nas armadilhas do viver
que não quer cair assim
num coração que não vem
me deixa andar e eu deixo ir
me deixa andar e eu deixo ir
assim …

Nô Stopa _ deixa andar

Benção

Blé Melissa e Murilo

sissy eiko . 04.10.2009 . batizado do Murilo e da Melissa


Onde há amor, cada dia é novo.

B. M. Cheviganard


“Num velho disco a vida se desfaz em poucos minutos
Pra onde aquele tempo te levou também vou

Pode ser numa canção
Pode ser no coração
Eu só quero ter você por perto

Se é pra tocar o céu e me lembrar do canto de um anjo
Naquele empoeirado LP encontro você”

Pato Fu _ por perto

nos andaimes da vida

sissy eiko . 2008

Ajeitou as saias com recato. Não olhava para ninguém. Contrita como no dia em que no meio de todo o mundo tudo o que tinha na bolsa caíra no chão e tudo o que tivera valor enquanto secreto na bolsa, ao ser exposto na poeira da rua, revelara a mesquinharia de uma vida íntima de precauções: pó-de-arroz, recibo, caneta-tinteiro, ela recolhendo do meio-fio os andaimes de sua vida.

Clarice Lispector, In “Laços de família” – Ed. Rocco – Rio de Janeiro, 1998

fix you

*fotografia por Sissy Eiko da cortina de fitas com frases que respondiam a seguinte pergunta: O que você gostaria de dizer para uma pessoa que você ama muito e não vê há muito tempo, porém o amor permanece o mesmo? (parte integrante da exposição que ficou no Sesc Ipiranga 03.10 – 02.11.2009 criada por Sissy Eiko + Teatro da Travessia e baseada nos textos de João Anzanello Carrascoza – Dias Raros )

“And the tears come streaming down your face
When you lose something you can’t replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you”

Coldplay_ fix you

sissy sentada

Minha formação em arquitetura levou-me à descoberta desse modo de representar uma idéia, de transformá-la em real, e de que maneira esta se torna mais concreta aos olhos de quem recebe. Ter a fotografia como um meio de trocar informações, sendo a concretização do imaginário. O desafio é a construção dessa imagem pensada, que reencontro dentro de mim. Um olhar constante do que está ao redor fundido com ilustrações, e desta maneira trazer à tona aquela magia de se surpreender e maravilhar-se com uma imagem que nos leva a recordar sentimentos e situações vividas no dia-a-dia. As “delicadezas” são um tantinho disso. Como se eu pudesse representar a brisa gostosa sobre o rosto através dessa montagem de fotografia+ilustração. Essa mistura de representações é uma busca experimental pela possibilidade de compartilhar experiências-olhares, tornando-a única, pois cada um que a veja s e recordará com carinho de alguma lembrança distante.

A realidade se dissolve neste desfazer-se fazendo, como se fosse possível tirar uma casca velha e pedregosa e revesti-la com uma penugem leve.” Elisa Andrade Buzzo

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Reinvenção

A vida só é possível reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas. . .
Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo… – mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcança…
Só – no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só – na trevas
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Cecília Meireles in Flor de poemas

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eu não sei se já vi uma bromélia

Ontem eu tive a impressão de ter visto uma bromélia. Enfim, pra ser sincero eu não sei bem se era, já que eu acho que nunca vi uma bromélia antes. Mas eu estava passando perto de sua casa e me lembrei daquele dia em que seu tênis desamarrou e estava chovendo bastante e eu parei pra amarrar. E me ajoelhei e sujei todo meu joelho de lama e você pra me sacanear tirava o pé toda hora e eu comecei a correr atrás de você. Nos sujamos de barro naquele dia e pelo que me lembro não tinha nenhuma bromélia por lá. Ou podia até ter, já que eu não sei se antes disso eu já tinha visto uma bromélia. Nós rimos tanto naquele dia da chuva porque você passou um dedo de barro no meu rosto e eu passei um pouco de lama em seu cabelo, ou acho que foi o vinho que tínhamos tomado sob aquele sol frio de outono, ou foi o riso frouxo que sempre fez parte do nosso repertório de músicas bregas, ou sei lá, só rimos porque estávamos felizes naquele dia de chuva em que seu cadarço desamarrou e eu abaixei para amarrar. E tomamos banho de chuva pra limpar a lama do rosto, do joelho, do pé, do cabelo. E enrugamos os dedos de tão molhados. E ficamos nos beijando na garoa. E corremos como loucos atrás de um chuveiro quente. E naquele dia eu fui tão feliz que doía demais o medo de não ser tão feliz no dia seguinte. E eu não sei se fui. Não… não sei se me expressei bem. Não é que não tenha sido feliz em outros dias. É que não sei falar de outros dias tão bonitos como aquele. Assim como não sei falar das bromélias. É que não sei se já as vi. E não sei se os senti. Mas eu acho que vi uma bromélia hoje. Que eu nem sei se era uma bromélia de verdade.

Júlio Castro

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sissyeiko_anadeoliveira

Coração lua de vento

vida brisa

fino sopro no corpo ardendo

sai sai sai

Coração relógio do tempo

desponteiriza

os segundos, o momento

vai vai vai

O canto é tarde, me sento

ávida vida, me brisa, por dentro

Ana de Oliveira

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